Assustada com a onda de assaltos no Bairro Castelo, a população local procurou a polícia para cobrar mais vigilância. Eles reclamam dos crimes cometidos por bandidos violento e da presença de menores de rua que trazem a sensação de insegurança à região. Na noite de quarta-feira, moradores se reuniram com o responsável pelo policiamento na região, tenente Paulo Machado, da 8ª cia., ligada ao 34º Batalhão de Polícia Militar para fazer as reivindicações. Na fala de um deles está uma queixa comum a todos: “Estamos preocupados com a falta de segurança. A gente tem medo de entrar, sair e até mesmo de permanecer em casa porque os assaltos estão ocorrendo a qualquer hora e em qualquer lugar”, afirmou o empresário Sávio Silveira, de 38 anos.
Até mesmo situações corriqueiras, como fazer uma caminhada ou sair com a família, estão sendo evitadas por quem mora no Castelo. A dona de casa Vicentina Gonçalves, de 66, afirma ter aberto mão do esporte praticado nas ruas do bairro por temer ser vítima de assalto. “Parei porque ficou perigoso.”
Segundo o comandante da 8ª Companhia do 34º Batalhão, major Júlio César dos Santos, os militares que atuam na região fazem bom trabalho de prevenção à criminalidade, principalmente em relação à Rede de Vizinhos Protegidos, que orienta as pessoas a se protegerem. “Na maioria das vezes, o cidadão se descuida em relação à segurança e a Polícia Militar (PM), por mais que tenha um efetivo grandioso, não vai coibir a criminalidade. Para que haja crime é preciso ter três fatores: o cidadão que queira cometer o delito, a vítima em potencial que dá essa condição e o bem tutelado que carece de proteção”, disse. “Não querendo jogar a responsabilidade para a vítima, mas se ela deixar a porta da casa aberta, vai aparecer alguém para entrar, mesmo com todo o aparato da PM”, disse.
Na sexta-feira, a PM prendeu mais cinco homens com drogas e uma pistola calibre 380 no Bairro Boa Vista, na Região Leste da capital. A suspeita é de que tenham participado de assaltos e arrombamentos no Bairro Castelo, segundo informou a polícia. Vários produtos eletrônicos, possivelmente roubados, foram apreendidos na casa de um deles. “É utópico dizer, mas buscamos a criminalidade zero. Trabalhamos em parceira com a Polícia Civil e já identificamos autores de dois roubos recentes”, disse o major Júlio César dos Santos. Segundo ele, a PM tem focado na abordagem de suspeitos, com viaturas circulando 24 horas por dia e reforçando o efetivo nas ruas em determinados turnos.
Outra preocupação da PM é com a explosão demográfica do Castelo, um dos bairros com maior expansão imobiliária nos últimos dois anos e com muitos prédios em construção. “A Lei de Uso e Ocupação do Solo limitou o bairro a um determinado número de moradias por conjunto habitacional. Os projetos que estavam em andamento antes têm prazo para serem executados. Em um curto período de tempo, grandes grupos empresariais investiram alto na região”, disse o major Júlio César. Nos últimos dois anos, segundo ele, vários prédios foram erguidos e o oficial solicitou à prefeitura um panorama dos imóveis em construção para saber a densidade demográfica do bairro. “O poder aquisitivo maior atrai infratores e a PM está preparada para coibir esse avanço”, disse o militar. (Com Pedro Ferreira)
